O Professor tira dúvidas

Fevereiro 23 2016

 

 

SE



Se és capaz de manter tua calma, quando,

todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.

De crer em ti quando estão todos duvidando,

e para esses no entanto achar uma desculpa.



Se és capaz de esperar sem te desesperares,

ou, enganado, não mentir ao mentiroso,

Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,

e não parecer bom demais, nem pretensioso.



Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires,

de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.

Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,

tratar da mesma forma a esses dois impostores.



Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,

em armadilhas as verdades que disseste

E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,

e refazê-las com o bem pouco que te reste.



Se és capaz de arriscar numa única parada,

tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.

E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,

resignado, tornar ao ponto de partida.



De forçar coração, nervos, músculos, tudo,

a dar seja o que for que neles ainda existe.

E a persistir assim quando, exausto, contudo,

resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!



Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,

e, entre Reis, não perder a naturalidade.

E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,

se a todos podes ser de alguma utilidade.



Se és capaz de dar, segundo por segundo,

ao minuto fatal todo valor e brilho.

Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,

e - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu filho!





Rudyard Kipling

Tradução de Guilherme de Almeida

publicado por OPTD às 17:56

Janeiro 23 2015

 

publicado por OPTD às 11:31

Junho 04 2014


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Junho 02 2014


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publicado por OPTD às 08:53
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Maio 02 2014
Origens: palavra e música
 
 
 
A palavra poesia vem do termo latim poēsis, que, por sua vez, deriva de um conceito grego. Trata-se da manifestação da beleza ou do sentimento estético através da palavra, podendo ser sob a forma de versos ou de prosas. Em todo o caso, o seu emprego mais usual está relacionado com os poemas e com as composições em verso.
 
Embora seja difícil definir a origem da poesia, foram encontradas inscrições hieroglíficas egípcias que remontam ao ano 2600 a.C., consideradas como sendo a primeira manifestação poética de que se tenha registo. São canções, cuja música se desconhece, que possuem significação religiosa e que aparecem desenvolvidas em distintos géneros, como odes, hinos e elegias.
 
Na antiguidade, a poesia teve um carácter ritual e comunitário, especialmente em povos como os sumérios, os assírios, os babilónicos e os judeus. Para além da religião, foram surgindo outras temáticas como o tempo, os lavores quotidianos e os jogos.
 
Existem certas normas formais que fazem com que um texto seja considerado como parte da poesia, como é o caso dos versos, das estrofes e do ritmo. Este tipo de características faz parte da métrica da poesia, onde os poetas aplicam os seus recursos literários e estilísticos. Sempre que se está perante um grupo de autores que partilha as mesmas características nas suas poesias, costuma-se falar em conformação de um movimento literário.
 
Entre as principais características da poesia, pode-se mencionar o uso de elementos de valor simbólico e de imagens literárias como a metáfora, que requerem uma atitude ativa por parte de quem lê os poemas para poder descodificar a respetiva mensagem.
 
 
 
 
 
Características do género Lírico
 
 

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“… a forma poética aparece quando a língua se rege por regras prosódicas, específicas de cada língua, que conduzem a ritmos e a uma sintaxe rigorosa ou desconstruída, quando a densidade e a raridade de imagens retóricas (metáforas, imagens, metonímias ) permitem uma multiplicidade de sentidos que constituem um desvio à norma.” (G. Jean, 1979, 2002)
 
 
 
 
Juan Cervera (1991) distingue três grandes grupos na poesia para crianças: lírica, narrativa e lúdica
 
A poesia lírica caracteriza-se sobretudo pela expressão de sentimentos e juízos do sujeito poético perante situações e objetos.
 
Na poesia narrativa, embora o elemento lírico não esteja totalmente ausente, a atenção incide sobretudo nos factos e na ação, o que conduz a um maior dinamismo e objetividade.
 
Quanto à poesia lúdica…, caracteriza-se … por uma menor atenção ao significado das palavras e uma maior incidência no efeito de jogo das sonoridades construídas pelo poema.
 
 
 
 
 
Composições da poesia tradicional
João David Pinto Correia (1993) 
 
¨cantigas de embalar / de ninar / de berço
¨provérbios, sentenças e máximas
¨rimas infantis
¨Lengalengas
¨trava-línguas
¨Cantigas
¨Quadras
¨adivinhas
 
 
 
 
No plano formal/temático as principais características da poesia contemporânea são as seguintes:
 
¨poemas geralmente curtos
¨reduzido número de estrofes
¨recursos a figuras de estilo
¨olhar poético sobre o real através de temas dominantes como:

a cidade, a natureza, a criança, o homem, amizade, alegria, nostalgia, tristeza, sensação de perda, questões sociais… (Glória Bastos,1999)
 
 
 
 
 
 
 

Ser Poeta

 

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior

Do que os homens! Morder como quem beija!

É ser mendigo e dar como quem seja

Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

 

É ter de mil desejos o esplendor

E não saber sequer que se deseja!

É ter cá dentro um astro que flameja,

É ter garras e asas de condor!

 

É ter fome, é ter sede de Infinito!

Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim…

É condensar o mundo num só grito!

 

E é amar-te, assim, perdidamente…

É seres alma e sangue e vida em mim

E dizê-lo cantando a toda a gente!

 

(Florbela Espanca, «Charneca em Flor», in «Poesia Completa»)

 
 
 
 
 
 
 
 
 
Como ler poesia? Sugestões…
 
1.Ler;
 
2.Compreender (verso a verso, estrofe a estrofe, encontrando as partes lógicas de sentido – descobrir o que quer dizer o poeta para além das palavras);
 
3.Descobrir o assunto, resumir o(s) tema(s);
 
4.Observar os aspetos formais (estrofe, rima, metro, figuras de estilo, tipos de frase e seu significado…)…
 
 
 
 
 
Estrofe
 
 

ppt-tipos-texto1-30-638.jpg

 

 
 
 
 
 
Rima:
¨consoante/toante
¨rica/pobre
¨cruzada
¨emparelhada
¨interpolada
¨encadeada
¨interior
 
 
 

a-mtrica-e-a-rima-24-728.jpg

 

 

poesia-em-forma-4-728.jpg

Esquema rimático

 

poema3.png

António Nobre

 
 
Métrica (atenção às vogais seguidas e às elisões)
 
 
 
 
 
 
 

Classificação das sílabas métricas:

  • 1 sílaba – Monossílabo
  • 2 sílabas – Dissílabo
  • 3 sílabas – Trissílabo
  • 4 sílabas – Tetrassílabo
  • 5 sílabas – Pentassílabo ou Redondilha Menor
  • 6 sílabas – Hexassílabo ou Heróico Quebrado
  • 7 sílabas – Heptassílabo ou Redondilha Maior
  • 8 sílabas – Octossílabo
  • 9 sílabas – Eneassílabo
  • 10 sílabas – Decassílabo
  • 11 sílabas – Hendecassílabo
  • 12 sílabas – Dodecassílabo
  • 13 ou mais sílabas poéticas – Bárbaro
 
Consulta também as informações do teu manual.
 
 
 
publicado por OPTD às 12:07
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Novembro 18 2013

 

Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho

é uma constante da vida

tão concreta e definida

como outra coisa qualquer,

como esta pedra cinzenta

em que me sento e descanso,

como este ribeiro manso

em serenos sobressaltos,

como estes pinheiros altos

que em verde e oiro se agitam,

como estas aves que gritam

em bebedeiras de azul.

 

eles não sabem que o sonho

é vinho, é espuma, é fermento,

bichinho álacre e sedento,

de focinho pontiagudo,

que fossa através de tudo

num perpétuo movimento.

 

Eles não sabem que o sonho

é tela, é cor, é pincel,

base, fuste, capitel,

arco em ogiva, vitral,

pináculo de catedral,

contraponto, sinfonia,

máscara grega, magia,

que é retorta de alquimista,

mapa do mundo distante,

rosa-dos-ventos, Infante,

caravela quinhentista,

que é cabo da Boa Esperança,

ouro, canela, marfim,

florete de espadachim,

bastidor, passo de dança,

Colombina e Arlequim,

passarola voadora,

pára-raios, locomotiva,

barco de proa festiva,

alto-forno, geradora,

cisão do átomo, radar,

ultra-som, televisão,

desembarque em foguetão

na superfície lunar.

 

Eles não sabem, nem sonham,

que o sonho comanda a vida,

que sempre que um homem sonha

o mundo pula e avança

como bola colorida

entre as mãos de uma criança.

 

In Movimento Perpétuo, 1956


publicado por OPTD às 16:44
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