O Professor tira dúvidas

Agosto 24 2009

1 milhão de livros grátis!

 

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publicado por OPTD às 09:36

Julho 06 2009

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publicado por OPTD às 07:28

Julho 06 2009

 

 

 

O Tombo da Lua
 
 
 
 
 
            Uma ocasião, quando desapareceu a Lua, eu estava lá e sei contar tudo. Não me lembro da idade que então tinha e já na altura me não lembrava. Certo é que a noite estava muito quente e repassada de azul, assim de tinta ¾ sói dizer-se ¾ e a Lua tinha-se quieta, redonda e branca, brilhante como lhe competia. Provavelmente o Zé Metade cantava o fado, postado à soleira da porta, enquanto acabava um saquitel de tremoços. O Zé Metade é assim chamado desde que lhe aconteceu uma infelicidade: quis separar o Manecas Canteiro do Mota Cavaleiro quando eles se envolveram à facada na Esquina dos Eléctricos, por causa de uma questão, segundo uns política, segundo outros de saias. Ambos usavam grandes navalhas sevilhanas e o Zé caiu-lhes mesmo a meio dos volteios. Ali ficou cortado em dois, sem conserto, busto para um lado, o resto para outro. Daí para diante ficou conhecido por Zé Metade, arrasta-se num caixote de madeira com rodinhas e deu-lhe para cantar todas as noites um fado melancólico e muito sentido: Ai a profunda desgraça / Em que me viste ó `nha mãiiii…
            Pois foi nesta altura, com tudo assim quieto e a fazer olho para dormir, que o Andrade da Mula se chegou à janela e disse: “Lá a calari…” e depois remirou em volta a ver se alguém lhe ligava, o que não aconteceu.
            Após olhou para o Céu e bocejou um destes bocejos do tamanho duma casa, escancarando muito a bocarra que era considerada uma das mais competitivas da zona oriental. E então aconteceu aquilo da Lua.
            Deslocou-se um bocadinho assim como quem se desequilibrou, entrou a descer devagar, ressaltou numa ponta de nuvem que por ali pairava feita parva, e foi enfiar-se inteirinha na boca do Andrade que só fez “gulp” e esbugalhou os olhos muito. No sítio da Lua, lá no astro, ficou um vinco esbranquiçado como dobra em papel de seda que logo se apagou e o céu tornou-se bem liso e escorreito. O Beco ficou um tudo nada mais escuro e um gato passou a correr, pardo, da cor dos outros.
            Diz o Zé Metade, no fim duma estrofe: “Ina cum caraças!”
            Vai o Andrade lá de cima e atira o maior arroto que jamais se ouviu naquele Beco.
            Era o Zé Metade a berrar para dentro: “`nha mãe, venha cá, senhora, co Andrade engoliu a Lua!” e o Andrade a olhar para nós, limpando a boca com as costas da mão, um ar azamboado.
            Seguiu-se o alvoroço costumeiro sempre que havia novidade. Ia um corrupio de pessoal na rua a falar alto e um ror de gente em casa do Andrade que estava sentado numa cadeira, pernas muito afastadas, pedindo muita água e queixando-se de que sentia a barriga um bocado pesada.
            ¾ Ele não teve culpa, tadinho, que ela é que se lhe veio enfiar pela boca dentro ¾ comentava a mulher do Andrade, torcendo a ponta do avental.
            ¾ Mas se foi ele que a desafiou ¾ gritava a mãe do Zé dando punhadas de uma mão na palma da outra mão. ¾ Pôr-se ali na janela aos bocejos, olha a farronca! Agora vem esta a querer baralhar género humano com Manuel Germano. O meu Zé viu tudo, óvistes?
            Não tardou, estava o presidente da Junta, muito hirto, no seu casaco de pijama com flores:
            ¾ Isto o meu amigo o que fazia melhor era regurgitar a Lua, ou o Beco ainda fica mal visto ¾ observou com gravidade e voz de papo.
            E o Andrade, moita, ali embasbacado, com os olhos no vago.
            Deram-lhe azeite para o homem vomitar, mas nada. Limitou-se a produzir uns sons equívocos e a esboçar um ar de enjoada repugnância.
            ¾ O pior é que se ela sai pelo outro lado nos parte a sanita nova ¾ abespinhava-se a filha do Andrade, toda de mão na anca. ¾ Que coisa mais escanifobética…
            É levarem-no já para o hospital ¾ gritava o Zé Metade da rua, ansioso por se ver acompanhado na sua desgraça de vítima do escalpelo cirúrgico.
            Mas o presidente da Junta considerou: Então e depois a Lua onde é que a punham? Quem lhes garantia que ela voltava ao sítio? E se os médicos quisessem ficar com ela lá no hospital e a prantassem dentro dum frasco com álcool? Que é que aquela gente ganhava com isso? Hã? E em faltando a Lua, quais eram os inconvenientes? Hã?
            ¾ Acabam-se as marés ¾ disse o Paulino Marujo.
            ¾ Coisa de pouca monta ¾ afirmou uma mulher. ¾ As marés nunca deram de comer a ninguém. E quanto à luz, depois da electricidade…
            ¾ Então como é que o amigo se sente? ¾ Perguntou o presidente ao Andrade.
            ¾ Menos mal, muito obrigado. Vai um pedacinho melhor…
            ¾ Então é melhor ficarmos assim ¾ recomendou o Presidente. ¾ Vossemecê agora toma um bicarbonatozinho, um leitinho, e ala para a cama que amanhã é dia de trabalho. E vocês todos, andor, para casa, em ordem e não se pensa mais em tal semelhante!
            E assim foram fazendo, aos poucos e poucos.
            No dia seguinte, a Humanidade toda estranhou muito o desaparecimento da Lua e deu-se a grandes especulações.
            Era com algum orgulho que a população do Beco via passar o Andrade. Sempre gaiteiro, apenas um pouco mais gordo.
 
 
Mário de Carvalho, Casos do Beco das Sardinheiras
publicado por OPTD às 07:25
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Abril 23 2009

 

Almeida Garrett
Falar verdade a mentir
Porto Editora
79 páginas
 
Peça de teatro traduzida / adaptada de um original francês por Garrett, que conta a vida de Duarte Guedes, um mentiroso compulsivo que, para grande susto seu, vê todas as suas mentiras realizar-se em frente aos seus olhos…
De fácil leitura, à excepção de algumas palavras menos habituais hoje em dia, divertido e de rápida leitura.
José Miranda©
publicado por OPTD às 22:43

Março 24 2009

 

Jorge Amado
O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá : Uma História de Amor
 
 
 
Escrita para o filho em 1948 só mais tarde foi publicada esta triste história de um amor entre dois seres diferentes, que lutam contra a sociedade para serem felizes…
 
O Português usado é o do Brasil, mas não há palavras assim tão estranhas para um leitor português.
Tem belas ilustrações de Carybé.
 
José Miranda©
publicado por OPTD às 22:18
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Novembro 27 2008

 

Susanna Tamaro
O menino que não gostava de ler
 
 
 
Uma bela história sobre livros e o maravilhoso mundo das histórias. Leopoldo descobre o prazer da leitura e dos livros.
 
Lê-se bem, com vocabulário fácil e ilustrações de Ute Krause. Um bom aperitivo para outras histórias.
 
José Miranda©
 
 
publicado por OPTD às 09:48

Novembro 20 2008

 

Blindness no Festival de Cinema de Sitges

 
Sitges, pequena localidade nos arredores de Barcelona, será tomada em Setembro pela cegueira branca de Blindness.
Integrado na Selecção Oficial Fora de Competição, Blindness será apresentado como uma das grandes propostas do Festival de 2008. Rodado no Brasil, no Uruguai e no Canadá, o filme realizado por Fernando Meirelles conta com a participação, ente outros, de Julianne Moore, Mark Ruffalo, Gael Garcia Bernal e Danny Glover.
O Festival, fundado em 1968 sob a forma de Semana Internacional do Cinema Fantástico e de Terror, transformou-se no mais importante acontecimento cinematográfico do género e, este ano, junta a nomes como Anthony Hopkins, Jodie Foster, David Cronenberg, Quentin Tarantino ou Guillermo del Toro, presentes em edições anteriores, o de Fernando Meirelles com Blindness, adaptado da obra Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago.
 
 
 
publicado por OPTD às 08:58

Novembro 15 2008

 

Luis Sepúlveda
História de uma Gaivota e do Gato que a ensinou a voar
Edições ASA
121 páginas
 
Uma linda história sobre Zorbas, um gato grande, preto e gordo que tem a difícil missão de ensinar a jovem gaivota Ditosa a voar.
Um livro divertido que se lê rapidamente, com vocabulário acessível e ilustrações em cada capítulo.
José Miranda©
 
publicado por OPTD às 10:20

Novembro 09 2008

Peter Newell, O Livro Inclinado, Orfeu Negro

 


         Artista prolífico, Peter Newell assinou ilustrações, cartoons e banda desenhada para dezenas de jornais e revistas norte-americanas, entre 1883 e 1924, data da sua morte.
         O Livro Inclinado pertence a um núcleo de obras que Newell criou na fronteira imprecisa entre a ilustração e a banda desenhada, onde as preocupações formais com o próprio objecto-livro são um elemento recorrente. Dos seis livros que compõem esse núcleo, The Hole Book, The Rocket Book e este O Livro Inclinado (The Slant Book, no original) constituem uma unidade particular, na medida em que partilham a sequencialidade das imagens que acompanham as rimas que constituem o texto e a materialização dessa sequencialidade num elemento que ganha corpo no próprio livro enquanto objecto. Nos dois primeiros, um buraco (de bala ou de foguete) atravessa as páginas, incorporando-se o vazio que deixa no papel na composição das ilustrações. N’O Livro Inclinado é o formato do volume que acompanha a sucessão de imagens onde um carrinho de bebé vai deslizando por uma rampa íngreme, com o respectivo ocupante como ‘piloto’.
         Rimas e ilustrações, que terão sido pensadas para um público infantil (o que justifica a presença numa colecção como a que este livro inaugura, a Orfeu Mini, ainda que a sua apreciação nunca se tenha resumido às crianças), revelam o programa artístico de Newell, observador atento do quotidiano e mestre exímio na arte do cómico. O Livro Inclinado retrata o que bem podia ter sido uma cena banal numa qualquer cidade, um corte temporal na narrativa dos dias, mas fá-lo exagerando as possibilidades (inclusive as da física, já que seria duvidoso que um carrinho de bebé se mantivesse tanto tempo em movimento descendente sem cair) e acentuando características das personagens envolvidas para melhor alcançar diferentes níveis de cómico, da linguagem à situação. A sequência dos encontros do carrinho com as personagens que se encontram na rampa revela situações desastrosas, mas que se tornam cómicas graças à “anestesia momentânea do coração”, a condição que Bergson impôs para a sã existência do riso provocado por situações nem sempre agradáveis. Como os constantes atropelos de um carrinho de bebé desgovernado.

Sara Figueiredo Costa
('Versao integral' do texto publicado no suplemento Actual do jornal Expresso, 17 de Outubro 08)
publicado por OPTD às 11:15

Outubro 18 2008

Consulta neste site resumos e imagens de várias obras :

 

http://sal.iplb.pt

publicado por OPTD às 16:31
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Um blogue de apoio às minhas aulas e a todos os que gostam de Português, Francês e tudo... Desde 2008.
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