Conceitos a pesquisar:
1. Linguagem e Comunicação
Linguagem - sistema de sinais que serve de meio de comunicação entre humanos, animais, máquinas...
verbal - exclusiva do Homem, palavra escrita/oral
não verbal - sons, gestos
emissor
recetor
mensagem
canal
código
contexto
Frase - sequência de palavras organizadas de acordo com as regras da língua
Enunciado - frase proferida por um locutor numa situação concreta
Enunciação - a língua em discurso
Discurso - produção verbal que resulta da interação comunicativa numa situação concreta (dimensão linguística e extralinguística)
Língua - código utilizado por cada comunidade linguística
oral
escrita
oficial
nacional
viva
morta
materna
segunda
estrangeira
minoritária
padrão/norma
naturais
artificiais

Falante
Comunidade
Le mirandés de hoije ben de la eiboluçon que tubo la lhengua de l Reino de Lhion, na tierra de Miranda, al lhargo de cientos de anhos, sufrindo la anfluença de l pertués, de l castelhano i de outras lhénguas, mas mantenendo la sue matriç oureginal: lhéngua filha de l lhatin i pertenciente a la família de las lhénguas stur-lhionesas. Quando l reino de Pertual de custituiu, apartando-se de l Reino de Lhion, yá na tierra de Miranda se falaba lhionés i assi tamien serie ne l mais de l atual çtrito de bergáncia. L pertués que ende hoije se fala ten muita palabra que bieno de l lhionés pa l pertués, i que ls dicionairos cuncídran, ls mais deilhes, cumo regionalismos stramuntanos.(...). Amadeu Ferreira
In Público, Segunda-feira, 27 de Outubro de 2008
2. Variação e normalização linguísticas
Variação
diacrónica - ao longo do tempo pera>para
diatópica - geográfica Portugal, Palop, Brasil (dialetos) fêra/feira http://pt.wikipedia.org/wiki/Portugu%C3%AAs_brasileiro
diastrática - social
diafásica - situação negativa, nega, chumbo
Registo
cuidado
corrente
familiar
popular
gíria
calão
linguagem técnica e científica
http://www.escolavirtual.pt/assets/conteudos/downloads/8por/8por160401.pdf
1. Identifica o nível de linguagem presente em cada um dos textos. Justifica a tua resposta.
TEXTO A
«Apanhei seis bolas de cana por ter comido uma ostra cheia de orina e o intruja, que se foi aos molhos com a bófia, chibatou-me e apenas apanhou quatro trintadas pagantes. Quase não precisou de palrante».
Tradução
«Apanhei seis anos de prisão, por ter arrombado uma montra cheia de ouro, e o receptador, a quem vendi os artigos, acabou por confessar à Polícia e denunciou-me. Foi condenado em apenas quatro meses de prisão correccional, que não cumpriu, por lhe ser facultado a remissão a dinheiro. Quase não precisou de advogado.»
Tal e Qual, 13/12/80
TEXTO B
A solução da Rede de Circuitos Privados pode aplicar-se em diversas formas, tendo em vista a topologia da rede e a utilização ou não de meios próprios de comutação, gestão de rede, conversão de protocolos, multiplexagem e encriptação.
TELEPAC em NOTÍCIAS
TEXTO C
« — Que vem a ser isso, Pardalito?
Então, protestei contra aquela vergonhosa fraqueza:
— Estás também com medo da gaja, hem?!...
— Eu...?! — objectou ele, numa lamúria. — Não digas isso, rapazinho!... Mas já não havia palavras que me convencessem do contrário:
— Estás, sim! Tremes cheinho de medufa!... És tão grande e tão sabichão... e, afinal, bates o queixo como qualquer miúdo!...
Ele ia articular outra desculpa, mas um novo trovão fê-lo encolher-se. (E agora ouvi nitidamente um gemido sair da boca do desgraçado.)
— Cagarola! — berrei-lhe, fora de mim. E intimei-o... — Eu não quero que íu tenhas medo da trovoada!»
ROMEU CORREIA, Bonecos de Luz
TEXTO D
«Aqui há semanas perdi o emprego, e aqui há dias a minha mulher, a Amélia, disse-me: "Vai ao Vitinha, homem: ele sempre há-de arranjar qualquer coisa.» Boa ideia. À noite disse aos amigos: «Amanhã vou ver o Vitinha. Vou falar com ele...» Todos ficaram alegres. «Dá lá recomendações, pá», disse o Naftalina. «Não te esqueças», avisou o Necas Bexiga.
No outro dia, lá fui ao prédio alto.
Disse o meu nome à empregada do consultório, ela desapareceu por uma porta, e voltou quase a seguir: «O senhor doutor pergunta se o seu assunto é urgente, se não pode esperar uns dias».»
BAPTISTA-BASTOS, Cidade Diária
TEXTO E
«Quando de tal me apercebi, saltei por cima do regedor, torto de borracho, rapei do estadulho dum carro que ali estava e, depois de varrer o campo com dois molinetes, pernas para que vos quero! Em menos tempo do que se pisca um olho, estava de largo.
Foram sobre mim, mas podiam eles lá pilhar-me, lesto como era, lesto como ia com o vinho orçado para me acender o ânimo, e na alma um aguilhão: avante! avante! se não queres ir apodrecer no chilindró! No morro, muito já fora de portas, à luz do luar ainda me deixava distinguir os tarantas a agatanhar atrás de mim, gritei-lhes com toda a alegria dum pássaro nas cerejas, com toda a força dos pulmões anchos de liberdade:
— Ó cagaréus de Aveiro, vinde agora para cá!... Vinde!»
AQUILINO RIBEIRO, O Malhadinhas
TEXTO F
«São velhas, pode dizer-se, todas as cidades da Europa, e são velhíssimas todas as grandes cidades. Só na América se improvisam os grandes centros de população, fazendo-se, desde os fundamentos, toda uma cidade com a rapidez com que na Europa se faz, um bairro. Não primavam as velhas cidades pela higiene, a luz mal entrando e o ar mal circulando nas suas ruas estreitas e tortuosas. As praças e jardins, que são uma espécie de pulmões da cidade, ou não existiam ou eram de exíguas dimensões, órgãos sem aptidão para o papel que lhes destinavam.»
B. CAMACHO, in Questões Nacionais, (conferência)
TEXTO G
«O osciloscópio (ou oscilógrafo) de raios catódicos é um tubo produtor de raios catódicos que apresenta a forma, as dimensões e os eléctrodos que convêm aos fins a que destina»
Gazeta de Física, V, fasc.5
TEXTO H
«Estava um terno de choros numa montada, quando uma geada subia para a gaiola. Desengomaram-lhe a caldeira, comendo-lhe um guizo com três pintores, e foram fazer a partilha num bebedouro da Figueira. (Aí registou-se a seguinte conversa.)
— Não tenho mordido por aí o Pintado.
— Não admira, o gajo foi de saco há um mês por ter sido chibatado quando metia uns grilos ao intruja, que tinha comido duma ostra que foi feito de bote.
— E quem o deu à morte?
— O rodas, que é um grande mangas.» (...)
In Diário de Lisboa, 6/11/76 Tradução:
Estavam três carteiristas numa paragem de eléctrico quando uma velha subia para ele. Abriram-Ihe a carteira e furtaram-lhe o porta-moedas com 300 escudos, indo fazer a partilha num café da Praça da Figueira. (Ai registou-se a seguinte conversa.)
— Não tenho visto o Pintado.
— Não admira, pois ele foi preso há um mês por ter sido denunciado quando vendia relógios ao receptador, os quais tinha furtado de uma montra, operando com automóvel.
— E quem o denunciou?
— O condutor, que é um grande malandro.
TEXTO I
«Saímos a barra. Chego-me para o arrais, que não larga da mão a cana do leme, imóvel e atento. Mete-me medo o negrume que não tem limites de escuridão e de vida e de que me separa a espessura de uma tábua. A maré vaza. O arrais manda:
— Iça a vela!
Os homens saltam nos bancos e o pano bate no escuro.
— Ó iça! Ó iça!
A escota range no moitão e a grande vela triangular sobe, debate-se, enche--se de vento. A catraia mete a borda. Uma hesitação na marcha e logo nos entranhamos na agitação infinita, na noite infinita.»
Raul Brandão, Os Pescadores
TEXTO J
Renato estava lívido. "Eh, pá... eh, pá..." Deu alguns passos em silêncio e depois berrou com toda a força: "Mas onde é que está este tipo? Querem ver que o sacana se deixou apanhar?!"
Mário Zambujal, Crónica dos Bons Malandros