O Professor tira dúvidas

Março 12 2009

 

VII
 
Compreendem agora melhor a Rosa Azul?
Não devia ser fácil para ela. Sozinha, sem ninguém com quem falar...
E ainda por cima, às vezes as outras flores diziam-lhe que queriam ser suas amigas e depois de se aproximarem dela...
Zás! Arrancavam-lhe uma pétala ou uma folha e fugiam a rir...
Mas a Rosa cor de mar tudo aguentava na esperança de que um dia olhassem para ela com os olhos do coração.
Talvez então vissem como era bonita por dentro e se esquecessem da sua cor estranha!
E quem sabe até se um Cravo ou um Jacinto quisessem mesmo ser seus amigos...
 
***
 
O tempo passou, mas nada disso aconteceu.
E a nossa Rosa Azul ia murchando dia após dia, cada vez mais fraquinha, até lhe tinham caído uma ou duas folhas de tanto pensar nestas coisas ou então seria daquele Sol ardente de Maio...
Não sei, já vos disse que de Rosas sei muito pouco...
 
***
 
            Ora numa certa manhã, à hora em que o jardim acordava, algo de estranho aconteceu...
            O dia estava sombrio e pálido e os raios do Sol não douravam as gotinhas do orvalho da madrugada.
            Uma enorme nuvem escura cobria o céu e parecia prestes a rebentar mesmo por cima da cabeça do Marquês de Pombal, que ficou ainda mais Verde do que o normal, vá-se lá saber porquê!...
            As flores, assustadas, comentavam baixinho com os Manjericos e até os pássaros se calaram.
            Uma espécie de trovão ecoou pelo céu e as Rosas Vermelhas, muito medrosas, enlaçaram mais as folhas.
            A verdade é que aquilo tudo assustava e até a Rosa Azul, que via sempre o boletim meteorológico, estava ansiosa.
            Que nuvem estranha era aquela?!...
            E, lentamente, uma chuvinha fina começou a cair...
            Mas não era uma chuva igual às outras.
            Era quase invisível, mal se sentia nas folhas!
            O jardim estava em pânico e os canteiros tremiam, de nariz no ar.
            De repente, um Malmequer pequenino, já com dores no pescoço, baixou a cabeça:
            -Eh! Olhem todos...
 
***
 
            As flores não tinham palavras.
Ali ficaram, especadas, a olhar para o jardim...
            Aquela chuva esquisita tinha apagado as cores!
            Tudo era agora Cinzento e sem brilho...
            Rosas, Narcisos, Margaridas, Violetas, Jacintos, Malmequeres, Cravos... tudo era agora da mesma cor.
            Iguaizinhos.
            Pelo menos na cor...
 
***
 
            “E a nossa Rosa Azul?!”
            Não sei onde está!
            Deixou de ser Azul.
Pelo menos por fora.
E agora é mais difícil encontrá-la...
Temos de a procurar com os olhos de ver por dentro...
Mas experimentem, por favor, e digam-me qualquer coisa quando a encontrarem!...
Digam-me que ela é finalmente feliz.
Digam-me que naquele jardim o que dantes a fazia diferente, a cor, deixou de ser importante.
Digam-me que agora cada flor vale pelo que é por dentro e não pelo que parece por fora.
 
E nesse dia, está combinado, iremos todos juntos passear, porque o sol brilha no céu e as Rosas perfumam o ar... de Lisboa.
 
 
FIM
 
 
 
José Miranda
02/01/2004
publicado por OPTD às 11:09
Tags:

Um blogue de apoio às minhas aulas e a todos os que gostam da Língua Portuguesa (e Francesa) e tudo...
Março 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
14

15
16
19
21

25
27

31


links
pesquisar
 
Contador (desde Julho 2009)

contador gratis
blogs SAPO