O Professor tira dúvidas

Março 23 2010

 

Como vamos ter a visita de Joana Amaral Dias, convém ler isto e discutir estes textos, porque é sobre o papel da mulher na sociedade que vamos falar com ela...

 

O PAPEL DA MULHER NA SOCIEDADE Carolina Carrujo

Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, 2007

Desde os primórdios da humanidade que a mulher tem lutado pelos seus direitos, tem lutado por uma vida melhor, pelo seu reconhecimento enquanto ser vivo. Antigamente, as mulheres eram usadas como sendo escravas e objectos sexuais. Faziam tudo o que lhes era imposto, eram consideradas um ser desprezível. Eram úteis apenas para cuidar dos filhos, executar as tarefas domésticas e satisfazer os homens. Aliás, infelizmente, ainda são tratadas assim em certos países.

Contudo, é graças à mulher que a nossa espécie continua.

A mulher, na minha opinião, é um ser único, é como alguém afirmou “ a flor mais sublime que a natureza deixou na Terra pelo seu perfume, pelo seu falar carinhoso e pela sua maneira de conseguir tudo o que anseia”. Como dizem os poetas, a mulher assemelha-se a uma rosa que exala perfume nos momentos mais tensos.

Foi ela quem inspirou os grandes pintores, os grandes escritores de textos literários, foi ela quem inspirou os músicos a criarem as mais belas canções.

A mulher é então um ser a que posso chamar de romântico, frágil e único. Contudo, para além da faceta, de mãe, feminina, mulher, etc., a mulher pode também ser trabalhadora, participativa e capaz de contribuir de algum modo para a evolução dos tempos e da nossa sociedade.

A meu ver, é necessário que a imagem de uma mulher que serve apenas para fazer anúncios de produtos industriais, mostrando o seu corpo, ou mesmo para fazer filmes de pornografia deve ser eliminada.

A mulher não deve ser vista de maneira diferente, deve ser considerada como um ser vivo e ter os mesmos direitos que os homens.

Penso que a mulher deve de assumir uma postura de ser humano e exercer a sua actividade de acordo com as suas posses, situação social ou grau de intelectualidade. Um fraco grau de intelectualidade contudo, não deve permitir o desrespeito.

Foi a partir da Revolução Francesa, em 1789, que o papel da mulher na sociedade começou a alterar-se. A exploração e limitação dos direitos marcaram essa participação feminina e aos poucos foram surgindo movimentos pela melhoria das condições de vida, de trabalho, a participação politica, o fim da prostituição, o acesso à instrução e a igualdade de direitos entre os sexos.

Em alguns países, felizmente, podemos ver que algumas mulheres já aderiram ao mundo da política, mundo este que desde sempre envolveu apenas homens. As mulheres cada vez mais participam no mundo não só da política mas também do desporto, da saúde, da engenharia etc.

Acredito que, se as mulheres desde sempre pudessem participar activamente na sociedade, então talvez o Mundo fosse um sítio melhor, com mais paz, amor e carinho.

***

Trajectória das mulheres na história

Sandra Vacchi

As mulheres estiveram presentes nos grandes momentos da humanidade e a sua participação foi ativa em diversos momentos da história.
Na Grécia antiga “as mulheres pouco saiam de suas casas, mas ainda sim gostavam de enfeitar com jóias e usavam perfumes raros. Um dos poucos lugares freqüentados por mulheres eram teatros, o que mostra o valor atribuído a manifestações artísticas. Vestiam-se com longas túnicas de linho macio, presa no ombro. Nos pés, sandálias simples e baixa. Era muito comum trazerem os cabelos presos com passadores e tiaras de metal.
As mulheres nada representavam para a sociedade limitando-se a tarefas domesticas.”
*(ALVES, K. e BELISÁRIO,R. Historia - Nas trilhas da historia. v.1.Belo Horizonte, dimensão, 2000) (pág:154).
No século V a.C., a democracia banira as mulheres da rua para casa: agora a cozinha, o quarto, as crianças e o gineceu, uma parte especial da casa reservada ás mulheres e crianças, se haviam tornado seu ambiente.
*(Faria, Ricardo de Moura, Construindo a História / Flavio Costa Berutti. – Belo Horizonte: Ed. Lê 1987.)
As mulheres casavam cedo, sem escolher o marido. Se o marido podia ceder para outro homem, antes de morrer.
Já no século XV e XVII, as mulheres resistiram a imposição da igreja e praticavam rituais de cura, eram consideradas bruxas e queimadas pela inquisição.
Durante mais de 300 anos na Europa que viu nascer a idade moderna e presenciou feitos como a conquista do novo mundo, a ascensão da burguesia comercial e o fim do domínio feudal, fez das fogueiras um instrumento de repressão a morte para milhares de mulheres inocentes em fogueiras piamente acesas para limpar o Mundo.Michelle Perrot, uma das pesquisadoras da Revista Brasileira de História 18 em Mulher e o Espaço Público falam da difícil definição de fontes para uma historia das mulheres, “afirmou em outro lugar que historiadores hesitaram muito em transpor o limiar da vida privada. Pudor ou desprezo para com atividades obscuras que transcorriam no anonimato doméstico, um lugar “sem história” . Descobriu-se, com tudo, que a casa e a família, tal que a conhecemos hoje são acontecimento histórico, datado em sua modernidade, e daí um assunto a merecer a atenção dos historiadores. Mais espetacular ainda, como acontecimento de nosso tempo, foi a luta das mulheres dos direitos civis, pela liberdade sexual, pelo direito ao trabalho remunerado. Esses dois acontecimentos - um, a descoberta da família e do lar burgueses, outro, a batalha das feminista sacudindo os restos da “ antiga ordem” – fizeram com que a mulher adentrasse o espaço público por uma via dupla: o trabalho acadêmico e a luta política.
*(Revista Brasileira de Historia - Órgão da Associação Nacional dos Professores Universitários de Historia - São Paulo, ANPUH/Marco Zero, vol.9, n°18, agosto1989/setembro de 1989.) (pág:8)
No século XIX, a mulher já trabalhava tanto quanto hoje. Ela não podia estudar, nem votar e se cometesse adultério, a lei dava ao marido o direito de lavar a honra com sangue. A maior parte das mulheres ganhavam seu sustento na lavoura ou em trabalho eventuais, como costurar, bordar e vender quitutes.
As comemorações de 8 de março são mundialmente vinculadas às reivindicações feministas por melhores condições de trabalho, por uma vida mais digna e sociedade mais justa e igualitárias. No entanto, o fato que levou à instituição dessa data aconteceu em 1857, centenas de operárias das fábricas de vestuários e têxteis de Nova York iniciaram um protesto contra os baixos salários e más condições de trabalho.
A manifestação foi reprimida pela polícia, deixando várias vítimas como 129 operárias de uma fábrica de tecido que, acuadas abrigaram-se nas dependências da empresa. Os patrões e a polícia trancaram as portas da fábrica e atearam fogo para obrigar as operárias saírem. As tecelãs morreram carbonizadas. * (Vacchi, Sandra artigo 2006. Mulheres desconhecidas)
“O sistema único de saúde contabilizou, em 2005, 8464 casos de mulheres agredidas, atendida apenas nos hospitais da rede pública do país. A compulsão por agredir e assassinar a mulher, muitas vezes de um falso amor, já é considerado uma característica nacional a tal ponto que a Organização dos Estados Americanos, através da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, responsabilizou o Brasil em 2001 pela tolerância e omissão sistemática em relação à violência contra a mulher.
Tentando reverter o quadro, o governo federal promulgou em agosto de 2006 a lei n° 11 340, conhecida como Lei Maria Penha, criando mecanismo para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher.
A bioquímica Maria da Penha ficou paraplégica, depois da primeira tentativa de assassinato pelo marido, um professor universitário, que tentou ainda eletrocuta-la em segundo atentado. Após um processo que durou 19 anos, o marido foi preso, cumpriu apenas 2 anos da pena e, atualmente está solto.” ( Jornal da Apeoesp – Boletim especial Dia Internacional da mulher – março -2007)
Neste novo milênio é uma boa hora para meditarmos a condição da mulher, seu papel na sociedade, a condição de trabalho, as humilhações, a violência, seus direitos e conquistas.
Segundo o art. 5º da Constituição (1988) todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.
Homens e Mulheres são iguais em direitos e obrigações.
Desta forma, devemos ter o máximo de respeito mútuo, eliminando qualquer subalternidade que possa advir da diferença de sexo, profissão ou qualquer outro tributo pessoal.
Através da análise da letra da música “Mulheres de Atenas” de Chico Buarque e Augusto Boal, resgataremos o papel da mulher na sociedade ateniense e faremos questionamento de como vivem as mulheres na sociedade atual, e suas conquistas e direitos que adquiriram no percurso desta história:

 

 


Mulheres de Atenas

Chico Buarque
Composição: Chico Buarque


Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos
Orgulho e raça de Atenas
Quando amadas se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem imploram
Mais duras penas, cadenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos
Poder e força de Atenas
Quando eles embarcam soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam, sedento
Querem arrancar violentos
Carícias plenas, obcenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos
Bravos guerreiros de Atenas
Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar um carinho
De outras falenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas, Helenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Geram pros seus maridos
Os novos filhos de Atenas
Elas não tem gosto ou vontade
Nem defeito, nem qualidade
Têm medo apenas
Não tem sonhos, só tem presságios
O seu homem, mares, naufrágios
Lindas sirenas, morenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos
Heróis e amantes de Atenas
As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
As suas novenas
Serenas
Mirem-se daquelas mulheres
Secam pro seus maridos
Se conformam e se recolhem
mas suas novenas serenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Secam por seus maridos
Orgulho e raça de Atenas






Vocabulário

melena: cabelos longos e soltos
fustigadas: castigadas, mal tratadas
cadenas: seguido
falenas: borboleta noturna no texto se refere a aventuras passageiras com outras mulheres
presságios: pressentimentos; fatos ou sinais que prenunciam o futuro
serenas: sereias
novenas: reza feita durante 9 dias

publicado por OPTD às 20:00

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